28
Jan 08

(continuação)

Pensei que com o bébé as coisas iam mudar, e realmente acalmaram durante algum tempo, tirando certos e determinados pormenores. Foi uma gravidez atribulada, nada descansada, continuava a chorar todos os dias, aos 3 meses de grávida surgiu a desconfiança de o bébé ter Trissomia 21. Tive que fazer a amniocintese , que foi horrível, até hoje, quando me lembro, arrepio-me toda. Mas felizmente estava tudo bem. Já estava grávida de 7 meses quando ele se lembrou que havíamos de casar, porque sempre tínhamos mais vantagens por sermos casados em termos de ajuda do estado alemão. Eu não queria, fui, mas sem muita vontade... Mas lá casamos no Consulado Português em Dusseldorf. Em Março nasce o menino. 12 horas de puro sofrimento e sempre sozinha, que assim que dei o primeiro ai ele desapareceu e só o tornei a ver já o bébé tinha quase 1 dia... Ainda estive mais 2 meses na Alemanha, mas tive que voltar já que na altura vivia de favor na casa da minha patroa. Assim, vim para a casa que entretanto tínhamos comprado em Portugal e ele lá ficou a trabalhar.

Ao fim de 2 meses veio ele. Quando abri a porta de casa senti e vi que aquele não era o pai do meu filho. Os olhos estavam vazios, estranhos, tive um pressentimento... Resumindo 2 meses depois já estava fora de casa e a viver com outra. E eu com menos 20 quilos em cima e com um filho nos braços, sem dinheiro nem para comer, sem trabalho e com todas as prestações da casa em dívida. Aí sim, senti que a minha vida tinha acabado, ninguém me dava trabalho, porque tinha um bébé e quem tem filhos falta muito. Quem me salvou foram os meus pais que nos davam comida, coitados, pouco mais podiam fazer...

Tive a minha irmã que sempre me deu muita força e tentava de todas as maneiras que eu não me fosse abaixo. Uma noite fomos sair. Entramos num bar onde costumávamos ir frequentemente. Eu não estava bem... e já tinha bebido um pouquinho... foi quando senti alguém me puxar por um braço... Ia começar a espingardar, dar asas ao meu mau feitio, quando olho para quem me puxou e... era ele... sim, o tal charmoso de cabelo branco que alguns anos atrás me tinha "enganado". Tinha sabido entretanto que ele tinha-se separado da tal "fulana" no dia em que eu embarquei para Alemanha em direcção ao meu triste destino.

E neste caso foi o destino que nos juntou, porque a partir desse dia até hoje, nunca mais nos separamos!

Hoje, somos casados, temos dois filhos, sim porque o meu André também é filho dele. E amo-o hoje mais do que ontem e menos que amanhã! Devolveu-me a vida, a vontade e a capacidade de amar. Também já passamos por algumas coisas. Mas em vez de nos afastar, fez-nos tornar um só.

Vivo com ele o amor que nunca tive e sei que ele vê em nós a família que sempre desejou e que o respeita e o ama acima de tudo na vida!

 

publicado por Anjos às 17:31

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