28
Jan 08

Saí de casa muito cedo, aos 19 anos, e aos 20 já vivia em união de facto com um rapaz. Éramos dois miúdos, que nadam sabiam da vida. Fomos crescendo os dois, eu sendo mais mãe dele do que outra coisa. Uns dias bem outros pior. Muitas vezes cada um para o seu lado, às vezes parecíamos que só partilhávamos a casa. Mas eu gostava dele e ele de mim. Os dois primeiros anos vivemos com os pais dele, depois arranjamos um T1 e fomos ser felizes os dois.

Em 1998 vem com a brilhante ideia que queria emigrar. Eu relutante, muito relutante, em deixar um trabalho que adorava, as pessoas de quem gostava, a minha cadela Laika, para embarcar numa aventura que no meu coração não se desenhava nada de bom. Enfim... com muita lágrima à mistura, fui. Partimos rumo à Alemanha. Chorava todos os dias, ai se chorava, odiava aquilo, odiava as pessoas, os meus colegas, os meus patrões (todos portugueses e uma corja da pior espécie). Aguentei, engoli muito sapo. E fomos ficando. Viemos de férias. Voltamos para lá! Ao fim de um mês sua excelência descobre que afinal não me ama mais. O céu caiu sobre a minha cabeça, fiz as minhas malas e voltei para o meu país.

Confesso, olhando para trás que foi a melhor altura da minha vida. Vivi sozinha, tinha dois empregos, divertia-me muito, queria era viver a vida, 7 anos que perdi a viver em função de uma pessoa que não me merecia (mas o bichinho continuava lá). Um belo dia começou a trabalhar lá no hotel onde eu trabalhava como empregada de escritório, um novo recepcionista. As minhas colegas que o tinha visto só faziam elogios à figura. E eu em pulgas para conhecer. Até que o conheci e as minhas colegas tinham razão, era bom todos os dias, um charme de uma pessoa de derreter toda e uns cabelos brancos... eu cá nunca gostei de cabelos brancos mas aquele tinha qualquer coisa. Não pensem que era muito velho, não só tinha mais 2 anos que eu. Bom, o tempo foi passando começamos a ser amigos e... pronto, aconteceu!

Deu-se mas não se devia ter dado, que o raio do gajo bom estava em união de facto há não sei quantos anos com uma "fulaninha". A converseta do costume ai e tal damo-nos muito mal, só ainda estou com ela por causa da menina (ela tinha uma filha, que não era dele, mas criou-a desde bébé, era como se fosse). A coisa durou pouco. Porque eu não gosto de fazer aos outros o que não gosto que façam a mim. Ou seja, mandei-o plantar urtigas. Mas a coisa custou-me, porque entretanto eu tinha ido trabalhar para outro hotel e consegui que ele fosse para lá também.  Ao fim de pouco tempo despedi-me, porque já não aguentava aquele clima e nunca mais o vi. Mas ficou sempre aquela mágoa...

Com isto tudo e com outras peripécias à mistura, acabei por voltar para a Alemanha directamente para os braços do meu ex-namorado. Estivemos bem 1 mês, quando a coisa começava a azedar descobri que estava grávida. Mais uma vez o céu caiu-me em cima...

(continua)

publicado por Anjos às 16:07

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